Estudos da Tradução e Ensino de Matemática: a escola indígena em questão

Hélio Simplicio Rodrigues-Monteiro

Resumo

Este artigo é um recorte das discussões realizadas na tese de doutoramento do autor, realizada no Programa de Pós-Graduação Multiunidades em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Tem como objetivo fazer uma discussão da problemática que advoga pela necessidade de criação e/ou a tradução de termos que pertencem ao domínio da linguagem matemática - que estão em língua portuguesa – para a língua indígena. Tal propósito se dará à luz da filosofia da linguagem, mais especificamente alguns dos conceitos desenvolvidos pelo filósofo Ludwig Wittgenstein em sua obra Investigações Filosóficas, e os estudos da tradução seguindo uma orientação wittgensteiniana.  A intenção, nesse caso, é compreender que, tanto a criação de novas palavras em línguas indígenas quanto a tradução de palavras de uma língua para outra, são fenômenos complexos, que envolvem múltiplos fatores e subjetividades, envoltos em relações de poder. Tais fenômenos estão, ainda, envoltos em interesses diversos, presentes nas relações socioculturais dos falantes tanto de uma língua quanto de outra. Traremos à tona, ainda que de forma suscinta, a prática dos professores indígenas nas aulas de matemática, no contexto da educação bilíngue. Ou seja, estratégias utilizadas pelos professores indígenas, em suas aulas de matemática, no que diz respeito ao ensino de palavras da linguagem matemática, veiculadas em português, que não existem na língua indígena.

 

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