Escola, abre-te para a problematização das relações racializadas!

Palavras-chave: Estudantes cotistas negros. Educação Antirracista, Jogos ficcionais de cenas.

Resumo

Este artigo discute a partir das práticas memorialísticas de seis estudantes que ingressaram por cotas para negros em uma instituição pública da Amazônia Brasileira questões raciais que culminam na necessidade de uma abordagem educacional crítica e antirracista. Articuladas às narrativas desses estudantes, mobilizamos por meio dos jogos de cenas autores e teorias que nos auxiliam a compreender a importância de práticas pedagógicas contra-hegemônicas que permitam desnaturalizar a dominação do discurso racista e excludente voltado para o multiculturalismo bom-mocista, que mantém intactas as bases racializadas e segregacionistas da sociedade brasileira. A atitude teórico-metodológica assumida nessa pesquisa advém da desconstrução proposta por Jacques Derrida e da terapia filosófica proposta por Ludwig Wittgenstein, por meio de jogos ficcionais de cenas, sendo que os encadeamentos discursivos foram realizados por meio de citações e enxertia. Com base nessa pesquisa, compreende-se que é necessário repensar as práticas em sala de aula, abrindo a escola para a problematização das questões relacionadas à temática racial.

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Publicado
2020-05-01
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Como Citar
ASSIS, A. S. F. DE; FARIAS, K. S. C. DOS S. Escola, abre-te para a problematização das relações racializadas!. REMATEC, v. 15, n. 33, p. 148-165, 1 maio 2020.
Seção
Artigos Científicos