A encenação de práticas culturais na tessitura de outras escolas: A vida como eixo da ação educativa

Palavras-chave: Educação escolar, Práticas culturais, Ética pós-humanista, Transgressividade, Wittgenstein.

Resumo

Este artigo tem como propósito abordar terapeuticamente possibilidades de problematização de práticas culturais diversas em ambientes formativos institucionalizados, apostando-se em suas potencialidades performativas para a promoção de práticas educativas transgressivas. Para este fim, fazemos, por um lado, um uso transgressivo-desconstrucionista dos escritos de Ludwig Wittgenstein, em particular, de seus estudos tardios, para se questionar o modo liberal-disciplinar-individual-meritocrático de se fazer escola praticando-a, invariavelmente, como lócus de assimilação psicológico-cognitiva de competências e habilidades em conteúdos disciplinares, o que torna as práticas educativas ideologicamente comprometidas e solidárias com a manutenção de regimes de verdade politicamente opressores, discriminadores, belicistas e socialmente excludentes. Por outro lado, fazemos também um uso transgressivo construtivo das investigações do filósofo, propondo-nos a descrever encenações de práticas culturais com um grupo de professores que levaram à investigação e realização efetivas, na escola, de práticas educativas indisciplinares, não dogmáticas e não homogeneizadoras. Tais práticas também mostraram seus poderes performativos transgressivos para a investigação e promoção de práticas escolares outras, orientadas por uma ética pós-humanista que elege as vidas que vicejam em diferentes formas de vida como eixo da ação educativa de formas de escolarização por virem.

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Publicado
2020-05-01
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Como Citar
SOUZA, E. G.; MIGUEL, A. A encenação de práticas culturais na tessitura de outras escolas: A vida como eixo da ação educativa. REMATEC, v. 15, n. 33, p. 166-184, 1 maio 2020.
Seção
Artigos Científicos