Mobilizando histórias na formação inicial de educadores matemáticos: memórias, práticas sociais e jogos discursivos

Palavras-chave: Formação de professores de matemática, histórias, memórias, práticas sociais, jogos discursivos, problematização indisciplinar

Resumo

Na primeira parte deste artigo, compartilhamos e elucidamos nossa forma particular de mobilizar histórias em algumas disciplinas dos cursos de graduação da formação de professores de matemática oferecidos pela Universidade Estadual de Campinas e pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no Brasil. Essa forma de mobilização pode ser caracterizada como um conjunto de problematizações indisciplinares coletivas que incidem sobre sucessivas investigações realizadas pelos participantes desses cursos. Essas investigações tomam como objeto práticas mobilizadoras da cultura matemática. Essas práticas são realizadas por diferentes comunidades constituídas por e constituintes de diferentes atividades humanas. Na segunda parte deste artigo, nosso objetivo é problematizar nossa forma de mobilizar histórias - ou seja, teorizá-la - contrastando-a com a perspectiva teórica da aprendizagem expansiva, assim como tem sido defendida por Yrjö Engeström, em seu artigo Non scolae sed vitae discimus - para a superação do encapsulamento da aprendizagem escolar. Tentaremos, também, destacar o papel que este pesquisador tem atribuído à história em seu modelo de aprendizagem expansiva, perspectiva que se coloca no desenvolvimento da pesquisa contemporânea sobre a teoria da atividade.

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Biografia do Autor

Antonio Miguel, Universidade Estadual de Campinas
Possuo Licenciatura em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1976), Mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1984) e Doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1993). Desde 1982, sou professor assistente doutor junto ao Departamento de Ensino e Práticas Culturais da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Sou professor, pesquisador pleno e orientador em nível de mestrado e doutorado junto ao Programa de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação da Unicamp e junto ao Programa de Pós-Graduação Multiunidades em Ensino de Ciências e Matemática da Unicamp (PECIM). No primeiro desses programas, oriento nas duas seguintes linhas de pesquisa: Educação em Ciências, Matemática e Tecnologias; Linguagem e Arte em Educação. Já no PECIM, oriento na linha de pesquisa ?História, Filosofia e Linguagem na construção do conhecimento em Ciências da natureza e Matemática e no seu ensino?. Fui membro fundador do Círculo de Estudo, Memória e Pesquisa em Educação Matemática (CEMPEM), da Revista Zetetiké, do Grupo de Pesquisa HIFEM (História, Filosofia e Educação Matemática) e do Grupo Interinstitucional de Pesquisa PHALA (Educação, Linguagem e Práticas Culturais). Junto ao HIFEM, desenvolvo e oriento pesquisas nos campos: história e filosofia da matemática; história e filosofia da educação matemática; história e filosofia na educação matemática. Junto ao PHALA, desenvolvo e oriento pesquisas nos campos: Estudos de práticas culturais vistas como jogos de linguagem; Educação indisciplinar em diferentes campos de atividade humana, incluindo o escolar; Historiografia de práticas culturais educativas (escolares e extraescolares); Historiografia cultural da matemática vista como conjuntos autônomos e dinâmicos de jogos de linguagem orientados por propósitos sociais normativos; relações entre matemáticas e artes vistas respectivamente como jogos preponderantemente normativos ou alegóricos de linguagem. Os principais autores de referência que constituem o campo de diálogo para o desenvolvimento dessas investigações são Ludwig Wittgenstein e Jacques Derrida. Já a orientação metódica pós-estruturalista e pós-colonialista que temos adotado para se lidar com problemas e questões de investigação no interior dessas linhas de pesquisa é o que temos denominado atitude terapêutico-desconstrucionista, que não é vista nem como uma teoria e nem como um método genérico com etapas previamente determinadas, mas como uma orientação metódica que assume formas idiossincráticas para cada pesquisa. 
Iran Abreu Mendes, Universidade Federal do Pará
Bolsista Produtividade em Pesquisa Nível 1C do CNPq, Possui graduação em Licenciatura em Matemática e em Licenciatura em Ciências, ambas pela Universidade Federal do Pará (1983), Especialização em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Federal do Pará (1995), Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1997), Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2001) e Pós-doutorado em Educação Matemática pela UNESP/Rio Claro (2008). Atualmente é professor Titular do Instituto de Educação Matemática e Científica da Universidade Federal do Pará (IEMCI), onde atua como pesquisador do Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências e Matemáticas. Tem experiência no ensino de Cálculo, Geometria Analítica e Euclidiana, História da Matemática, História da Educação Matemática, Didática da Matemática e Fundamentos Epistemológicos da Matemática. Desenvolve pesquisas sobre: Epistemologia da Matemática, História da Matemática, História da Educação Matemática, História para o Ensino de Matemática, Práticas Socioculturais e Educação Matemática, Diversidade Cultural e Educação Matemática. Líder do Grupo de Pesquisa sobre Práticas Socioculturais e Educação Matemática (GPSEM/UFPA). E-mail: iamendes1@gmail.com

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Publicado
2021-02-19
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Como Citar
MIGUEL, A.; MENDES, I. A. Mobilizando histórias na formação inicial de educadores matemáticos: memórias, práticas sociais e jogos discursivos. REMATEC, [S. l.], v. 16, p. 120-140, 2021. DOI: 10.37084/REMATEC.1980-3141.2021.n.p120-140.id324. Disponível em: http://rematec.net.br/index.php/rematec/article/view/324. Acesso em: 9 mar. 2021.
Seção
Artigos Científicos